1.05.2011

Saliva




O sabor da saliva. Qual seria?

Que umas suportam unicamente uma outra (para sempre) e outras não se saciam jamais.

Umas se encontram num absurdo magnetismo de suas polaridades opostas e tornando-se iguais se repelem como antigas inimigas.

Outras se conformam no conforto da combinação, e quase secas seguem de mãos dadas. Mornas, geladas...

E mesmo sós, se transformam em outros sabores, viscosidades únicas. Se misturam ao vinho e ao fumo, como se fosse um encontro desejado entre iguais companheiras de secreção.

Tocam a própria pele com a surpresa com que se toca a pele alheia. Muito estranha.


E a língua áspera, ainda não entendia. Inquieta com a misteriosa vizinha, perdia mais uma noite de sono:


-O sabor verdadeiro da saliva, quem saberia?

4 comentários:

ૐ 'Priiscylα disse...

Ninguém sabe, mesmo não tendo gosto de chocolate ou amor, todo mundo adora provar. Gostei do texto.
beijo.

Salve Jorge disse...

Matando a sede na saliva
Seguimos à deriva
Pelo oceano dos caminhos traçados
Dos gostos experimentados
Mares nunca dantes navegados
Coisas de gente viva
E viva a saliva que se tem gastado
Que se todo verbo há de ser castigado
Todo gosto ficará marcado
Na arte do teu palavreado
Nas papilas gustativas
No paladar da tua língua
Que enquanto tanto mundo mingua
O teu segue encantado...

Gabriele Moura disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriele Moura disse...

Curioso tema. Gostei!