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4.17.2011

Dela




Ela queria um mundo de sonhos

Na ponta da língua.


Mil gotas geladas de chuva

Estalando ardidas nas costas

Enquanto areias reluzentes

Das dunas brancas ao sol

Lhe aqueciam as mãos

De mil dedos gigantes.


Ela queria respirar onde era impossível,

Que seus olhos falassem,

Que sua boca calasse,

E que sua pele sentisse

Só de enxergar...

Eu acho sinceramente,

Que a loucura lhe caía bem.

4.14.2011

São meus

Esses fantasmas

Não nego.

Hoje até os acho

Meio engraçadinhos,

Com tudo aquilo

Que me roubam

No despertar

E nos sonhar tardio.

E com aquilo

Que trazem consigo:

Meus medos perdidos

Minha bagagem esquecida

Meu antigo olhar,

Perto de mim

Tão inconsciente.

O vazio é mais sábio

Repetem em assobio

Não ser é a única forma

De se viver de verdade.

4.10.2011

Do gosto da chuva


É fato. Experimentar a vida é bem mais difícil do que parece.


Não se trata somente de aproveitar o melhor das situações e das pessoas esperando que a vida seja boa, que você não se apegue a nada indevido e que tudo termine como gozar num pôr de sol chuvoso na beira de uma praia morna.


Agente se apega ao indevido, as situações se tornam bizarras, as pessoas misteriosas e estranhas demais.


Tudo seria simples, se todos percebessem a impossibilidade das ambições humanas mais mesquinhas. Não se pode pertencer nem se pode possuir ninguém.


A realidade é outra história, longe demais do seu oceano. Uma história que talvez, não deva receber qualquer intervenção.


Você até se lembra do objetivo original de fazer da vida “sempre , o meu passeio público, e ao mesmo tempo fazer dela, o meu caminho só, único ” (ai, Lulu). Mas no final das contas, na prática a teoria é outra.


Você não quer interferir no que é belo, e o que é belo se desafaz nas baixas das marés.


Olha pra trás e sente que era doce o sabor da acomodação. Não adianta alertar ao passado, se não sobra nenhum arrependimento.


A vida é deliciosa, mas muito, muito amarga.

Tomo um gole... desejo me acostumar um dia.


Aqui por mim...fica uma última impressão: Estou adorando o amargo, a dúvida, a dor...e o que vier....que seja assim, espontâneo como um beijo roubado sem querer.

4.05.2011

Do zumbi, da alma e do espírito.

Ela suplicava ao seu espírito que retornasse. Que pudesse novamente ver a vida com a paixão e com a dor que lhe são normais. Arrependia-se de tê-lo sepultado no decorrer dos anos, dentro de um poço raso mas extremamente escuro.

E agora, à medida de um pulo baixo ele insistia em permanecer cego e surdo. Ela não podia imaginar que seria assim, pois apenas queria adequar-se aos seus pares, todas aquelas pessoas que interagiam tão bem entre si. Tentava se confortar com suas justificativas rasas.

Porém, nunca lhe agradou a ideia de ser um zumbi, mesmo agora quando já era um à muito tempo. E sentia, logo abaixo dos pés frios, a sua presença retirada de si. Continuava sem saber se o seu espírito simplesmente a ignorava inconsciente disso tudo ou se a torturava por escondê-lo à força.

Seu rosto de zumbi no espelho não expressava o descontentamento, racionalizava cada mínimo pensamento tolo procurando leva-la até o fim do caminho de uma maneira confortável onde ao final já estaria completamente decomposta.

E ela esforçava-se para estender a mão no poço logo abaixo, mas tomava-se de terror ao imaginar a fúria do seu próprio espírito...por tantos anos silenciado.

2.06.2011

meaningless


Semanas loucas essas que se passaram. Tenho pensado muito sobre tudo, coisa demais, perturbação que não consigo traduzir à palavra alguma, ou mesmo colorir em algum lugar tranquilo no meu fraco entendimento da vida.

Às vezes acho que serei uma eterna adolescente tola, procurando sentido nisso tudo. Como expectadora da própria existência (enquanto a espinha no nariz não seca).

A fé tirou férias, eu acho, voltou...mas ainda fica sonolenta diante da crueldade humana, da minha própria (humana que sou) e da fúria do mundo.

A rotina quer me chamar novamente à alienação dolorosa da aceitação sem questionamento.

A infecção passou (ufa). A palavra: “antibiótico”, me deixa meio zumbi. Sexo, cerveja , bolo de chocolate e correr sem direção, são novamente alternativas de entorpecimento momentâneo, que surgem entre tantas outras possibilidades.

Será mesmo necessário reduzir-se tanto um ter um pouco de paz?

Não quero ser uma entidade zumbi vivendo em busca de mera satisfação.


Ah... a estética...

...a estática.

Inércia.


Algo intenso e assustador parece espreitar por aí.

Apesar de tudo, estou otimista.

1.05.2011

Saliva




O sabor da saliva. Qual seria?

Que umas suportam unicamente uma outra (para sempre) e outras não se saciam jamais.

Umas se encontram num absurdo magnetismo de suas polaridades opostas e tornando-se iguais se repelem como antigas inimigas.

Outras se conformam no conforto da combinação, e quase secas seguem de mãos dadas. Mornas, geladas...

E mesmo sós, se transformam em outros sabores, viscosidades únicas. Se misturam ao vinho e ao fumo, como se fosse um encontro desejado entre iguais companheiras de secreção.

Tocam a própria pele com a surpresa com que se toca a pele alheia. Muito estranha.


E a língua áspera, ainda não entendia. Inquieta com a misteriosa vizinha, perdia mais uma noite de sono:


-O sabor verdadeiro da saliva, quem saberia?

12.26.2010

Be


Eu não sou nerd. Gostaria de ser.

Se fosse, talvez estudar não fosse uma tarefa tão fatigante.

Eu morreria menos no PVP do World of Warcraft,

ou pelo menos saberia distribuir melhor meus talentos

escolher os itens que devo usar para aumentar a regeneração de mana da minha priest.


Não leio mais que seis livros por ano, incluindo os da faculdade. (deveria ler)

Não conheço nenhuma banda ou filme alternativo, desses que só pessoas realmente inteligentes apreciam.


Não entendo bulhufas das evoluções tecnológicas.


Não sou ateia, feminista, ou defensora do movimento GLS (tá, que não contra nada disso)


Não vejo sentindo em ler Orgulho e Preconceito com Zumbis sem ter lido a obra original.

Morro de preguiça da obra original e nunca consegui assistir ao filme inteiro.


Em fim, admiro e conheço muitas pessoas inteligentíssimas e com elas aprendo mais do que eu poderia por mera paixão, vontade, ou ainda melhor, por capacidade.


São Analistas de Sistema, poetas, publicitários, músicos, artesãs...pessoas excepcionais em suas peculiaridades.


No final das contas, me restou mesmo ser uma pessoa extremamente mediana em quase tudo o que me proponho a fazer e conhecer.

Talvez eu seja excepcional em contemplar a vida, mas isso não é exatamente um talento rs.


Muita sorte a minha por não estarmos em uma história clihê sobre adolescentes norte americanos. Não sendo nerd nem muito menos uma pessoa “legal” (isso nem precisa de explicação), eu realmente teria um distúrbio de personalidade (será?).


Só acho interessante sabermos admirar e escolher como exemplos o que é realmente fascinante: a inteligência humana nas suas mais belíssimas e raras manifestações. Por isso este post meio sem sentido.


O mundo baseado somente na estética e na futilidade mata o que há de melhor em nós.