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4.10.2011

Do gosto da chuva


É fato. Experimentar a vida é bem mais difícil do que parece.


Não se trata somente de aproveitar o melhor das situações e das pessoas esperando que a vida seja boa, que você não se apegue a nada indevido e que tudo termine como gozar num pôr de sol chuvoso na beira de uma praia morna.


Agente se apega ao indevido, as situações se tornam bizarras, as pessoas misteriosas e estranhas demais.


Tudo seria simples, se todos percebessem a impossibilidade das ambições humanas mais mesquinhas. Não se pode pertencer nem se pode possuir ninguém.


A realidade é outra história, longe demais do seu oceano. Uma história que talvez, não deva receber qualquer intervenção.


Você até se lembra do objetivo original de fazer da vida “sempre , o meu passeio público, e ao mesmo tempo fazer dela, o meu caminho só, único ” (ai, Lulu). Mas no final das contas, na prática a teoria é outra.


Você não quer interferir no que é belo, e o que é belo se desafaz nas baixas das marés.


Olha pra trás e sente que era doce o sabor da acomodação. Não adianta alertar ao passado, se não sobra nenhum arrependimento.


A vida é deliciosa, mas muito, muito amarga.

Tomo um gole... desejo me acostumar um dia.


Aqui por mim...fica uma última impressão: Estou adorando o amargo, a dúvida, a dor...e o que vier....que seja assim, espontâneo como um beijo roubado sem querer.

2.06.2011

meaningless


Semanas loucas essas que se passaram. Tenho pensado muito sobre tudo, coisa demais, perturbação que não consigo traduzir à palavra alguma, ou mesmo colorir em algum lugar tranquilo no meu fraco entendimento da vida.

Às vezes acho que serei uma eterna adolescente tola, procurando sentido nisso tudo. Como expectadora da própria existência (enquanto a espinha no nariz não seca).

A fé tirou férias, eu acho, voltou...mas ainda fica sonolenta diante da crueldade humana, da minha própria (humana que sou) e da fúria do mundo.

A rotina quer me chamar novamente à alienação dolorosa da aceitação sem questionamento.

A infecção passou (ufa). A palavra: “antibiótico”, me deixa meio zumbi. Sexo, cerveja , bolo de chocolate e correr sem direção, são novamente alternativas de entorpecimento momentâneo, que surgem entre tantas outras possibilidades.

Será mesmo necessário reduzir-se tanto um ter um pouco de paz?

Não quero ser uma entidade zumbi vivendo em busca de mera satisfação.


Ah... a estética...

...a estática.

Inércia.


Algo intenso e assustador parece espreitar por aí.

Apesar de tudo, estou otimista.

11.01.2010

Solidão


Às vezes a casa parecia vazia. As pontuações humanas e suas medianas conquistas se tornavam pinturas roubadas da própria sorte, devolvidas sem pedidos de perdão.

Não se lembrava de nada. As pessoas tão presentes e queridas pareciam agora passear ao longe no quintal, e o silêncio dentro da casca sussurrava os ecos de suas vozes chamando por ela.

Não só perdera a voz, mas a vontade de falar. A ausência de som se confundia com a incapacidade de ouvir qualquer coisa.

Seus sonhos dormiam e os pensamentos se afiavam nas coisas mortais.

Seria assim a morte?

No sonho do sonho, porém, a esperança, a voz clara, a fagulha ...da festa que poderia ser.


*Inspirada pela solidão da Lara (Simone), descrevo a minha solidão hoje.

4.14.2009

Resumindo.




Mais um século sem aparecer por aqui. Tenho andado muito feliz mas bastante cansada para compartilhar um pouco de tudo que tem acontecido. Essas fases de adaptação são sempre difíceis para mim, tudo é um processo de libertação, uma saída do casulo; e no final das contas a percepção de que nada do realmente importa mudou. As coisas grandes continuam intangíveis e a vida segue seu rumo normal, com algum conforto e com medo da mediocridade. E o casulo continua aqui, alimentando-me e alimentando-se.

Tenho muito a aprender...


1.28.2009

Estamos indo de volta pra casa...

Sumida. O pior é que nem posso dizer que é porque ando muito ocupada. Desde da aprovação no concurso do Ministério da Saúde e da viagem com a família para Florianópolis é que eu não faço exatamente nada de produtivo e nem ao menos lembrei do meu canto para registrar esses dias.

Apesar de ter ficado com muita saudade do meu namorado lindo que por aqui se afogava em trabalho, a viagem foi realmente muito boa.

Foi maravilhoso conhecer Floripa, suas lindas praias, suas pessoas ligeiramente rudes, seu trânsito com regras sobrenaturais e... suas belíssimas praias... já mencionei isso? rsrsrs
Voltei dia 15. Espero voltar um dia.

A nomeação ainda não saiu, mas creio que logo logo já estarei trabalhando . De qualquer forma, se Deus quiser, até o final do ano o TJDFT me chama (Aprevisão é otmista mas não muito!). Aí é só correr para o abraço!

Por enquanto aguardo o Ministério da Saúde e me afogo no meu novo vício ( jogar World of Warcraft).
Quem diria hein? Eu que nunca fui fã de game nenhum.
O mundo vai voltando ao ritmo de trabalho e eu aqui aproveitando longas horas de vagabundagem, upando profissões virtuais, matando personagens da horda e ...morrendo muito!!! Sorte que por lá a vida é mais reciclável rsrsrs

Então está aí. O registro de um mês inteiro de vida. Em breve a "mamata" acaba e eu vou achar muito bom!

Um beijo...saudades... :)

10.21.2008

O confronto.



O confronto nem sempre é a melhor opção, mas como já haviam tentado de tudo resolveram que seria assim.
Ele não entendia. O pai ensinara que o maior sempre cuidava do menor, e que todos cuidavam de todos. Porém, como ele era o caçula, talvez se sentisse meio perdido na família.
Não era possível entender sua revolta, se era birra de menino mimado, se era alguma coisa que ninguém sabia. Mas ela estava ali, desde muito cedo em sua vida. Ele era um completo mistério.
Sabia-se que não era má pessoa, mesmo assim, suas atitudes junto aos seus, traduziam uma egoísmo difícil de entender.
Ao que me parece, todos deviam servir-lhe como obrigação, sem que ele quase nunca demonstrasse qualquer grau de gentileza.
E quando o confronto veio, não foi nada bonito, tantas ofensas e gestos de agressão entre aqueles que, talvez, no fundo, se amassem. Pois o amor e a amizade que antes eram óbvios, depois do confronto foram facilmente turvados pelas pequenas feridas de cada um.
E ele, finalmente encontrou uma causa para fundamentar a sua revolta, embora ela estivesse ali, muito antes de qualquer confronto. Sua aparência, apesar de triste, era de um completo alívio.
E todos se perguntavam em silêncio, se o que o tesouro que haviam perdido naquele dia, seria retomado algum dia...

9.17.2008

Carta ao Malakl




É incompreensível. Então, por que dizer? Transformar o que sinto em palavras seria uma barganha com a sua paz.
Não, não desejo te perturbar. A tua paz é uma parte considerável da minha.
Sim, meus pensamentos andam mais apáticos, turvos, quase tristes; e os “pensamentos positivos” que tanto queres de mim, nem sempre me acalmam a alma.
Queria ter mais dias bons do que ruins ultimamente, porque você tem razão, eu simplesmente não tenho motivo para o contrário. Mas o contrário está aqui, vivo dentro de mim, e eu não consigo encontrar o porquê disso tudo.
O que posso dizer é que estou aprendendo com a falta de tradução dos meus sentidos, que quase nunca eles dirão o que as palavras estampam, que não serei assim todos os dias, e, principalmente, que sou grata pelos sorrisos que provocas em mim...

Mesmo nesses dias.

PS:Cícero, amo-te!

" Eu acho que será pra sempre
Mas sempre não é todo dia"
Oswaldo Montenegro

7.29.2008

Gestação (Viagem total)



Se bem me lembro das antigas aulas de Química (ou será Física?), latência é aquele período que se inicia desde que algo começou a se transformar até que finalmente se conclua (ok, não levem muito a sério esse conceito, nunca fui boa nessas matérias).
É assim que me sinto nesses dias, em uma espécie de latência silenciosa, quase entediante, se não fosse o prelúdio de coisas maravilhosas que estão por vir.

Creio que a essa latência seja necessária para todos. Para uns é rápida e natural (pessoas "paternas" talvez?). Para outros é como um parto; longo, dolorido e possivelmente recompensador.

Não sei se feliz ou infelizmente, eu sou dessas pessoas que sofre um parto para cada etapa de sua vida. Digo infeliz, porque dói, como dói. Enquanto o mundo parece evoluir rapidamente, minha vida parece estar em uma pré-ebulição eterna. Estou sempre esperando (leia-se: lutando por) alguma coisa e quando encontro, logo outra espera se inicia.

Mas não pense que eu gostaria de ser dessas pessoas que passam por tudo com facilidade. Para esses não há tanta dor, mas as vitórias podem não passar de troféus empoeirados, se não houver cuidado.

Ser uma pessoa “materna”, é saborear cada momento de êxito como se saboreia um vinho bem maturado, um momento inexplicável de prazer e orgulho depois da imensa dor, que as pessoas paternas, sem a dor, não são capazes de sentir. No entanto, sem cuidado, uma pessoa assim pode acabar caindo em um sistema de contra produção fortíssima, focada somente na gestação e na dor, se esquecendo de que, bem ou mal, resultados são necessários.

Uma gestação, um parto, exigem a presença de um filho para serem felizes(ou não???).

No final das contas, independente de como você seja, "paterno" ou "materno" (sim, estou generalizando hoje), você perde algo quando ganha, e ganha algo quando perde. Assim, a vida e suas ebulições vão tangenciando algum belíssimo e indefinido sentido.

Porque cada um vê o mundo um pouco da forma como quer e um pouco da forma como pode.

(Ok, fiquei mesmo sem conclusão para essa viagem, parei, desculpe se você leu até aqui rs).