9.29.2013

Desabafo da floresta

Besta e caçador.
Passaram por tanta coisa. Parecia que seriam eternamente amigos. E depois de tudo isso, tantas histórias... mais um ultimo quinhão de dor lhe sobreveio.

Ela sempre soube que não poderia culpá-lo por nada. Sempre soube que os sentimentos dele eram mais incertos que as palavras da sua boca. Sempre soube que seria loucura amar alguém tão mais sagaz que ela: - O caçador, que vivia cheio de dor por suas caças perdidas, cheio de fantasmas de animais de outras vidas e pequenos seres semi-vivos (de estimação) que lhe mordiam os dedos.

Mas a besta, achava que o compreendia...e que assim estaria protegida.

Então, depois de um ou dois tiros incertos, dois ou mais...(não era mais capaz de contar...embora se lembrasse de todos), ela se permitiu outra vez ser exposta como carne crua na frente do mundo dos vivos, no meio do seu cativeiro pelos próximos anos.

Se permitiu dormir na frente do caçador, e até sonhou
... se permitiu amizade com um predador.
Deixou aquela armadilha tão óbvia e letal ser o seu lar.

E na amizade, muito pior do que no amor...um pedaço de coisa boa foi abatida.
A caça morta se tornou a vilã.
O caçador odiara o que fizera a ela e a odiara ainda mais por isso.
Após alguns minutos de lamento entre os dois, e os gemidos de dor daquela besta cambaleante silenciaram.

Ele mandou ao animal que sumisse dali, sem notar que nenhum sopro mais lhe sobrava.

Nenhum amor...só mágoa.  E a mágoa é a morte do amor. É o fim da esperança.

2 comentários:

Luci Lacey disse...

Menina cade voce? Hoje, estou revendo os meus velhos amigos blogueiros, me add no face https://www.facebook.com/luci.lacey

Beijinhos

Salve Jorge disse...

O erro crasso da caca
Se a vida na passa
Por mais que se fa'ca
Bebese da ta'ca
Que quando estilha'ca
Deixa seus cortes
E da corte
Um cheiro de morte
Que por mais forte
Se perde entre a lembran'ca das damas da noite da floresta...