1.28.2011

Sonho


Às vezes acreditava que era possível (mesmo em um humano recém chegado neste mundo) existir escondido os segredos das eras, o porque das existências, o enigma da criação e da criatividade.

Fechava os olhos enquanto ouvia a chuva arrebentar no telhado de barro, imaginando seu espírito se elevando por cima das tempestades nervosas; alimentava-se da luz dos relâmpagos; e ao mesmo tempo expandia-se pelos profundos abismos marítimos; embriagando-se do silêncio mais escuro.

Todas as distâncias encontravam-se ali, todos os estados de energia se diluíam em algo novo naquele breve sonho. Ela sentia como se respirasse logo depois do afogamento, se encontrava com todas as saudades e com tudo aquilo que amava mas não podia encontrar normalmente. E por segundos o seu sonho tomava forma da mais palpável realidade, como jamais havia sentido antes.

Mas outras vezes, não raro, ela apenas dormia. Recompunha às forças para mais um dia de trabalho e cumpria seu papel na história da fatiga humana.



"Abre logo o portão
Madrugada por todo o vale
Tá suando emoção
Tá com medo, e tem um detalhe
O medo embaça a visão
Abre logo antes que te abale
Ande na escuridão
O teu sonho parece um vale
Preso entre os morros não
Solta o sonho antes que se cale
Madrugada por todo vale... "


-A Fuga do Vale (Oswaldo Montenegro)-

3 comentários:

ૐ 'Priiscylα disse...

Adorei meeesmo o blog !
seguindo *;

Salve Jorge disse...

Seu pedaço
Seu segredo
Escondido
Regaço
Recôndido
Degredo
Alheio ao medo
Me enveredo
Desde pequeno
Me perco
Parto
Enquanto componho
Risonho
Tal sonho que emana
Onde sonho
Realidades mil
Esquecidas do funil
Da tragédia humana...

Gauche disse...

agradecida pela visita, moça.

abraços.